Cultura

Exposição de Francisco de Holanda "Sob a chama da candeia" na Biblioteca Nacional de Portugal

Visita guiada pela Dra. Sylvie Deswarte, que amavelmente se disponibilizou a receber os nossos Associados

A dita está patente ao público na Biblioteca Nacional de Portugal, ao Campo Grande. Reúne um conjunto de elementos que documentam a obra deste notável artista português contemporâneo de Miguel Ângelo, com quem conviveu. Para além da pintura, também na escrita, com, entre outras, a sua obra mais divulgada entre nós: "Da Fábrica Que Falece à Cidade de Lisboa".

A guiar-nos, no dia 2 de fevereiro, tivemos a comissária da exposição, Dra. Sylvie Deswarte, que, ainda com o seu sotaque da língua mãe, nos deu uma aula de cultura. E para quem tiver curiosidade em perceber como é que há cinquenta anos uma jovem francesa chega a Lisboa para estudar a obra de Francisco de Holanda, com a qual contactara em Florença, talvez que a melhor resposta seja ler um excerto da intervenção que o Professor Dr. Victor Serrão fez no ato de doutoramento Honoris Causa da Dra. Sylvie:

"Acompanho essa estrada de Sylvie Deswarte desde há quarenta e oito anos, quando no fim dos anos 60 ela veio pela primeira vez a Lisboa e começou a investigar temas da cultura artística portuguesa do século XVI, sob tutela de André Chastel, José V. Pina Martins e outros grandes vultos ligados aos estudos do Humanismo. Descobriu ocasionalmente na BNL um exemplar do Epigrammata Antiquae Urbis de Jacobus Mazochius (Roma, 1521), exemplar pertencente a Luís Teixeira, precetor do príncipe e futuro rei D. João III, anotado pelo artista português Francisco de Holanda (1517-1584), descoberta que constituiu o seu primeiro contacto com essa figura e a sua obra. Depois de aprender o português em Florença, seguiu no início dos anos 70 aulas de formação na Faculdade de Letras de Lisboa, com Pina Martins, Eduardo Borges Nunes, Lindley Cintra, Vitorino Nemésio e outros mestres, e escolheu para tema de tese de doutoramento o acervo excecional de frontispícios da Leitura Nova, vindo a publicar em 1977 o livro Les Enluminures de la Leitura Nova, 1504-1552. Étude sur la culture artistique au Portugal au temps de l´Humanisme, ainda hoje incontornável como referência para os historiadores de arte".

Aceda aqui a mais fotos desta visita.

Publicado em 05/02/2019