Cultura

"Pelos Caminhos do Romântico II" voltou a reunir os nossos Associados no Porto

Visita guiada pelo historiador César Santos Silva no passado dia 25 de maio

Texto e fotos da autoria de Nuno Oliveira

A visita iniciou-se no Largo da Maternidade Júlio Dinis, onde se localiza hoje o Centro Materno-Infantil do Norte e antes existiu a Maternidade. Outrora denominado Largo dos Ingleses, depois Largo do Campo Pequeno, o Largo da Maternidade só foi ajardinado a partir de 1894, ano em que também foi instalado o chafariz que ainda hoje lá se encontra. A mudança do nome do largo aconteceu em 1936, quando, por iniciativa do Dr. Alfredo de Magalhães, então presidente da Câmara Municipal do Porto, ali se construiu a Maternidade de Júlio Dinis.

No Largo existe um importante Templo, a Igreja Anglicana de Saint James e o Cemitério Britânico. O templo, construído entre 1815 e 1818, foi dedicado a Saint James em 1843. É atualmente frequentado pela comunidade cristã internacional, inglesa e anglicana. Já o "Cemitério dos Ingleses", como é conhecido, foi construído em 1788. Sobre tudo isto e muito mais, escutámos o nosso "guia" César dissertar longamente.

Depois, descendo a Rua da Boa Nova, encontramos a "Torre de Pedro-Sem" (a quem pertenceu?), também conhecida por Torre da Marca, que pertence hoje à Diocese do Porto, um dos poucos exemplares de arquitetura gótica que a cidade preserva, dos meados do séc. XV. Ao fundo da rua, atravessando a Rua Júlio Dinis e antes de enveredar pela Rua de Vilar, encontramos o Palácio dos Terenas, dos finais do séc. XVII, também pertença da Diocese, que foi antes e sucessivamente propriedade de quatro famílias. É atestado pelo brasão que figura na entrada lateral, pois faz referência a todas elas. Quem tivesse acompanhado a visita ficaria a saber por que razão a Rua de Júlio Dinis, apesar de bastante larga, não é avenida, e na qual se encontra a entrada principal do Palácio dos Terenas.

Entrando e continuando sempre até ao fim da Rua de Vilar, encontramos a Casa da Família dos Pacheco Pereira, uma das mais antigas da nação. Depois, um interessante «palacete» que pertenceu a um filho da Ferreirinha (motivo que levou o nosso "guia" César a contar várias histórias da vida social da época; uma espécie de edição da «Hola» da altura). Seguiu-se o Seminário de Vilar até por fim encontrarmos a Rua D. Pedro V.

Se na parte I dos Caminhos do Romântico tínhamos conhecido, descendo, o lado esquerdo da rua, desta vez esperava-nos o lado direito. E por onde entramos? Quem não conhece a Rampa da Pena, onde durante muito tempo se fazia inversão de marcha nos exames de condução? Muitos, mais antigos, conhecem, pelo menos. Seguimos pela Rua da Pena até ao Jardim da Pena, pequeno, mas bonito e calmo.

Seguindo sempre pela Rua da Pena, que é ainda extensa, fomos observando as traseiras da Faculdade de Letras, até chegarmos à Travessa do Gólgota, seguindo paralelos à Via Panorâmica da Ponte da Arrábida. De repente, deixámos de perceber que estávamos na cidade do Porto. Mais parecia que caminhávamos em pleno campo. Enfim, fomos descendo para o rio, pela Rua do Gólgota, depois pela Rua da Boa Viagem, com miradouro para o Bairro Salgueiro Maia, Calçada da Boa Viagem, que nos brinda com uma fantástica vista da Ponte da Arrábida, até chegarmos perto do Cais do Bicalho, junto ao rio.

Ah! Quase esquecíamos... Ao atravessar a Rua da Pena conhecemos a Viela do José da Mestra. Mais um detalhe que quem tivesse acompanhado a visita poderia ter ficado a saber: quem foi José e a mestra, sua mãe.

Viagem deslumbrante por um Porto desconhecido de muitos, temos a certeza, e que nos surpreendeu, numa manhã de sábado bem passada, na excelente companhia, como sempre, dos nossos associados e de César Santos Silva.

Publicado em 05/06/2024