Relato do Seccionista Carlos Batista
Esta foi a 5.ª vez que fui a Fátima de BTT e talvez tenha sido a mais difícil de todas, porque embora não tenha apanhado mau tempo, tivemos direito a um terreno "algo pesado" derivado essencialmente às chuvas que caíram durante toda a semana, o que trouxe dificuldades acrescidas durante a pedalada nos dois dias, mas foi igualmente a mais bonita, essencialmente pelos trilhos que tivemos a oportunidade de percorrer sobretudo no 2.º dia em que atravessámos a Serra de Aires e Candeeiros.
No primeiro dia percorremos cerca de 125 km entre Odivelas e a Golegã pelos já conhecidos caminhos sul dos peregrinos até Santarém, e daí pelos caminhos originais de Santiago de Compostela, com alguns desvios até à Golegã onde chegámos já perto das 18 horas.
No dia seguinte foram mais 55 km até Fátima, num total de 180 km, com quase cerca de 2.000 metros de acumulado em 2 dias. Cheguei cansado mas feliz, valeu a pena o esforço, a companhia do grupo e sobretudo a diversão. Sim, porque pessoalmente, ir a Fátima, só pode mesmo ser em 2 dias em modo BTT, passeio e diversão!
O caminho não foi fácil. O 1.º dia, embora mais rolante, acaba por começar a deixar mazelas no corpo a partir do km 90/100. Já não temos posição no selim. Qualquer pequeno declive é aproveitado para aliviar as mazelas que se começam a fazer sentir nas nádegas, sendo os últimos quilómetros sempre muito sofríveis e a chegada finalmente à Golegã o grande bálsamo! O nosso ritual neste primeiro dia, para além da pernoita ser obrigatoriamente na Casa da Tia Guida, um fantástico hotel e albergue para turistas e peregrinos, é igualmente o jantar na Adega Ribatejana da Golegã onde podemos saborear os pratos típicos da região numa envolvente toda ela tauromáquica!
No dia seguinte, a 2.ª etapa leva-nos a entrar no PNSAC (Parque Nacional das Serras de Aires e Candeeiros), com fantásticos trilhos para os amantes do BTT, embora o tempo bastante nublado não tenha permitido apreciar o potencial desta serra, mas mesmo assim respira-se natureza no seu estado puro. O caminho, esse... bem, esse é cheio de pedras, umas mais perigosas que outras, mas estamos na "serra das pedras e dos calhaus", em que temos que ultrapassá-las o melhor que podemos e sabemos. Por vezes, no meu caso, o mais recomendável era mesmo desmontar, noutras arrisca-se. Correu bem com uns sustos aqui e ali, mas faz parte também do ritual! E sobretudo deu para apreciar todo o potencial da minha "montada checa", roda 29 por estes caminhos, e se dúvidas houvesse, que havendo pernas, esta "bicla" transpõe qualquer obstáculo!
No final e à medida que nos vamos aproximando de Fátima, sobretudo quando estamos a apenas 10 km do destino, a impaciência começa-nos a dominar, sobretudo porque já só falta mesmo uma última dificuldade. Depois da vila de Minde já só falta conseguir chegar às eólicas e a partir dali é sempre a rolar pelo pinhal fora até Fátima... E esses km são intermináveis!
No final, a chegada a Fátima é sempre de um grande rejúbilo, o concretizar do objetivo num local que é e será sempre místico! Obrigado ao grupo que me desencaminhou para mais uma aventura. Foi um excelente fim de semana. Foi a minha 5.ª vez. Venham mais 5!
Publicado em 20/12/2019