Desporto

Virámos a esquina e fomos até ao Lago Azul

Crónica da autoria do Seccionista Aires Pereira

Esta crónica vai dar-vos conta do fabuloso passeio que o Henrique nos proporcionou no passado fim de semana (16 e 17 de fevereiro), a Castelo de Bode. Foram, creio que para todos, umas valentes horas de passeio (no meu caso foram mais de 13 horas) perfeitamente negociadas com o S. Pedro que nos brindou com um dia primaveril para o deleite de todos os envolvidos. Foram curvas e curvinhas, pedaços de história resgatados de vistas deslumbrantes, tudo muito bem cozinhado num passeio de altíssimo nível... disse quem participou! Da minha parte deliciei-me com uma atividade de que já tinha saudades. Passear de moto pelo prazer de... passear de moto! E quando os astros estão de feição...

Participantes do Clube Millennium bcp: Aires Pereira, Henrique Silva, Miguel Talhão, Caetano Oliveira, Lino Marques, Gonçalo Parente e Francisco Rocha.

Diz o aforismo popular que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Quando olhei para trás, esperei que a água fosse ainda mais mole e a pedra ainda mais dura! A parede impõe respeito. E impressiona!

Estávamos mesmo à frente do paredão da Barragem de Castelo de Bode. A maior barragem portuguesa até à construção do Alqueva. Atrás de nós, mais de 100 metros de altura de betão e por trás a sua albufeira também conhecida por Lago Azul. Foi o nosso destino e iríamos perceber o porquê do nome.

Para lá do abastecimento de água a Lisboa, da produção de energia elétrica e do auxílio à prevenção de cheias, a extensa albufeira é local de eleição para os praticantes de inúmeros desportos náuticos: windsurf, vela, wakeboard, remo, motonáutica, jetski e ainda a pesca desportiva.

Nesta altura, a maior parte do grupo, os 6 que saíram da cidade da alface, já tinha feito cerca de 120 km de autoestrada (sem piadinha nenhuma). Pelo caminho recolhemos mais dois e, já em Constância, os elementos finais, o casal que nos acompanharia até ao almoço. 9 motos e 10 companheiros da estrada para uma jornada à volta da albufeira de Castelo de Bode.

Depois foi um cafézinho para acordar e uns curtos quilómetros até à barragem. A estrada seguia pelo vale do Zêzere, com um rio à nossa esquerda e uma paisagem que nos preparou para as paisagens que veríamos no resto do dia. Estrada revirada, o que também seria quase uma constante... Convém referir que o S. Pedro nos brindou com um dia espectacular. Tudo a compor-se.

Costumo dizer que escrevo porque viajo. Neste caso viajámos porque escrevo. Na realidade, colegas entusiasmados com os relatos de alguns passeios anteriores quiseram fazer parte das Viagens ao Virar da Esquina. Portanto... mãos à obra!

Começámos a perceber o porquê de Lago Azul. A tonalidade da água é de um azul forte que contrasta na perfeição com a diversidade de verdes das margens. Ainda mal tínhamos começado. Era portanto tempo de nos fazermos à estrada!

Próxima paragem: Aldeia do Mato. A estrada até lá foi como todas as outras que daí para a frente iríamos encontrar: curvas, contra-curvas, um prazer para a condução das nossas montadas. E um deleite para os olhos.

Aldeia do Mato e a sua praia fluvial ofereceram-nos uma visão paradisíaca (até porque nesta altura quase não se vislumbra vivalma!). Dotada de infraestruturas para diversos desportos náuticos é um dos pontos de eleição para quem ruma a estas paragens. Depois foi seguir por estradas municipais (em bom estado) em direção ao Penedo Furado, local da próxima paragem.

A dada altura, o nosso percurso coincidia com o trajeto da Estrada Nacional 2. Mas o original! Não o das vias rápidas. Estávamos a 380 km de Chaves, 359 de Faro e o Sardoal era logo ali, a 13! Obviamente documentámos o momento. Um pouco mais à frente, a oportunidade para mais uma foto de grupo em cenário magnífico.

Chegados ao Penedo Furado comprovámos a merecida fama do local. Um vale bem cavado, com um ribeiro cujo curso é domado por sucessivas pequenas represas que quando fechadas permitirão a formação de pequenos lagos que associados à frondosa vegetação serão bem prazenteiros em alturas de maior canícula.

As características do maciço rochoso fazem da Praia Fluvial do Penedo Furado, bastante arborizada, um autêntico paraíso, oferecendo um conjunto de pequenas quedas de água, visíveis a escassos metros, que podem ser apreciadas ao percorrer um estreito caminho talhado na rocha.

Na zona mais elevada, existe um rochedo gigantesco com uma enorme abertura de feitio afunilado, que dá nome à praia, onde foi criado o Miradouro do Penedo Furado, de onde é possível admirar a magnífica paisagem, a ribeira do Codes, a albufeira da Barragem do Castelo do Bode e algumas casas das povoações envolventes. Do lado direito do miradouro, existe um nicho com a imagem de Nossa Senhora dos Caminhos, após a qual existe um trilho lateral que permite passar à zona mais baixa do penedo, e descer até à praia fluvial, passando pela denominada "Bicha Pintada". A "Bicha Pintada", localizada na margem direita da Ribeira do Codes, abaixo do miradouro do Penedo Furado, é um fóssil que, se crê que tenha mais de 480 milhões de anos.

Daqui, sempre pela velhinha EN2 (mas em razoável estado) seguimos em direção a Vila de Rei. Percebemos a razão da construção da nova estrada. De carro deve ser um tormento... mas de moto? Um deleite!

Atravessámos Vila de Rei, porque o destino ficava 2 km depois: o Centro Geodésico de Portugal, no Picoto da Melriça. No centro do País mas também lá no alto, com uma deslumbrante vista de 360º (é verdade, bem lá ao fundo, quase confundida com algumas nuvens, estava a Serra da Estrela!).

Foi nos finais do século XVIII que D. Maria I mandatou Francisco António Ciera para elaborar a "Carta Geográfica do Reino". Foi nesta altura que o picoto da Melriça começou a ser reconhecido como o Centro Geodésico de Portugal. A Serra ou Picoto da Melriça está situada a cerca de dois quilómetros a nordeste da povoação de Vila de Rei e tem a altitude máxima de 592 metros.

Feita a visita, descemos novamente a Vila de Rei para agora tomarmos o rumo de Ferreira do Zêzere. Estrada larga, bem lançada, a permitir um ritmo mais rápido mas revirada como todas as outras. Deu para desfrutar um pouco da condução (sem exageros, atenção!). Quase a chegar a Ferreira de Zêzere, era tempo de passar para a outra margem (direita) da albufeira. A ponte, magnífica e com um enquadramento belíssimo.

A parte da manhã estava quase concluída. Passámos Ferreira do Zêzere e um pouco à frente, em Águas Belas, demos alimento às nossas briosas montadas. Quando aos ilustres cavaleiros e a digníssima cavaleira... esperaram mais uns minutos, poucos, e lá fomos à "Festa do Porco" no Centro de Férias e Formação do Sindicato dos Bancários.

O Centro de Férias e Formação do Sindicato está situado em Casal do Zote - Beco, a 9 km de Ferreira do Zêzere, entre as localidades de Carril e Cabaços, implantado numa zona rural por excelência, de uma rara beleza natural com arvoredo variado e paisagens deslumbrantes, temperadas por um clima moderado.

Quando chegámos, o suíno já tinha perdido a sua "personalidade jurídica" e estava a passar à situação de febra e entremeada. O resto foi história... apenas salientar o excelente momento de convívio que desfrutámos, antes de voltarmos aos caminhos. E que caminhos!

Aguardem pelo resto da história...

Publicado em 25/02/2019