Desporto

Ultra-Trail da Serra de São Mamede

Relato do Associado Pedro Raposo

Nos dias 17 e 18 de maio de 2019 realizou-se a 8.ª edição do Ultra-Trail da Serra de São Mamede com as distâncias de 110, 43, 22 e 12 km à disposição de quem estivesse à procura de uma "aventura".

Para a prova dos 110 km alinharam cerca de 400 atletas, entre os quais eu e o Miguel Cruz, para percorrer os concelhos de Portalegre, Castelo de Vide, Marvão e Valencia de Alcántara (Espanha).

A partida foi dada às 22 horas de sexta-feira (17 de maio) e começou com um urban trail de cerca de 5 km pelo centro de Portalegre, com muito público na rua a incentivar os atletas. Houve tunas académicas, cante alentejano e escuteiros, estes últimos a incentivar os atletas lá para as duas da manhã no meio de um monte a fazer uma verdadeira festa aos atletas.

A partir do 1.º abastecimento (PAC), com cerca de 8 km feitos, começámos então a entrar verdadeiramente no espírito do trail, que nos iria acompanhar durante o resto da prova.

A edição deste ano do UTSM contou com uma distância maior e mais altimetria do que as edições anteriores, além de mais "single-tracks", muitas zonas perigosas e outras muito técnicas (muitas descidas técnicas). A organização esteve muito bem, os voluntários foram incansáveis. Destaco ainda os abastecimentos da prova (eram 10 oficiais e dois intermédios com que a organização nos brindou e que estavam localizados a meio das etapas mais longas), as paisagens magníficas e as marcações da prova como nunca tinha visto. Alguns atletas comentavam, inclusivamente, que a organização exagerou nas marcações.

No 5.º PAC, sensivelmente com 50 km nas pernas, tínhamos uma muda de roupa à nossa espera e fizemos aqui a nossa maior paragem de toda a prova, cerca de 30 minutos. Daqui seguimos para Espanha, pela Sierra Fria e alguns imponentes corta-fogos.

De regresso a Portugal, chegámos ao PAC 7 (São Julião), com cerca de 70 km feitos e este era o ponto de partida para a maratona. "Ânimo que já só nos falta fazer a maratona!" - foi com este pensamento que arranquei deste PAC. Este ânimo acompanhou-me até perto dos 100 km, altura em que o Miguel deixou de me ouvir, as pilhas já começavam a falhar e já não tinha energia para falar.

PAC 10, último abastecimento, o foco e o pensamento era já só um: só faltam 10 km! Isto está feito! Neste ponto partilho com o Miguel pela primeira, e acho, única vez, que já me custa correr, temos margem de tempo para ir nas calmas. Digo-lhe isto na esperança de ouvi-lo dizer qualquer coisa como - "ok, vamos ao teu ritmo". Mas... não, não foi isso que ouvi, o Miguel muito assertivamente diz-me que podemos andar e passamos aqui o resto da tarde para acabar isto. Essa constatação fez-me mudar o chip e... "Miguel, se é para correr, vamos correr".

Dos 400 e poucos atletas que iniciaram a prova, acabaram 297 atletas. Enquanto os primeiros demoraram cerca de 13 horas e meia, os últimos demoraram praticamente as 26 horas permitidas para completar o percurso.

Esta prova, que era um dos meus objetivos de 2019 (a minha primeira ultra de 3 dígitos) foi feita do princípio ao fim na companhia do Miguel, que já está habituado a este tipo de provas e que foi, sem dúvida, uma grande ajuda para eu conseguir terminar este desafio. Grande companheiro!

O treino foi feito na companhia do pessoal que na semana anterior fez os 101 km de Ronda, em especial o Hélder Baptista e o Pedro Neves, que foram os meus companheiros de praticamente todos os treinos que fiz para o UTSM. Agradeço também a todos com quem tive a oportunidade de treinar na preparação desta prova e aos que me deram conselhos e sugestões.

Um obrigado à minha Susana Feliciano, minha companheira de todas as aventuras, que me apoia sempre que me meto nestes desafios e que nunca duvidou que eu fazia a distância.

Uma experiência a repetir (confesso que enquanto lá andava no mato não era isto que dizia...)!

Publicado em 06/06/2019