Desporto

Trail Abrantes 100 - Do oito para o oitenta...

Texto da autoria do Atleta Manuel Rodrigues

Depois de em 2016 me ter deslocado a Abrantes para me estrear em provas longas, no Trail Abrantes 100 Anos / 100 Km, confirmei no terreno que as provas longas não são a minha praia, tendo ainda ficado com pouca vontade de repetir esta prova, devido ao seu traçado muito monótono.

Este ano desafiaram-me para voltar a Abrantes e apesar de alguma apreensão lá aceitei o convite, mas apenas por ser na versão de estafetas e pela companhia. Esta decisão acabou por vir a mudar radicalmente a minha opinião acerca do evento, já que este ano a prova apresentou um percurso fantástico, com trilhos dignos das melhores provas de trail. Ir em estafetas, também acabou por ser uma excelente opção já que me permitiu fazer a prova dentro do registo que eu gosto, ou seja, sempre "no aço".

Ainda antes da meia noite, eu, o Helder Baptista e o Eduardo Rodrigues chegámos a Abrantes, onde tínhamos os "homens das longas distâncias", Miguel Cruz e Pedro Raposo, à nossa espera com os dorsais e as instruções de última hora. O 4.º elemento da equipa, o Nuno Almeida, chegou um pouco mais tarde, mas ainda muito a tempo da hora da partida.

Depois de tudo preparado, fomos calmamente até ao local da partida, no centro da cidade, onde deu para fazer uma pausa no café e ajudar nos preparativos dos atletas que iam para a prova longa e do primeiro elemento da nossa estafeta. O Nuno, habituado às partidas rápidas e da confusão, foi o escolhido para o primeiro sector de 25 km, que apesar da altimetria ser mais acentuada, acabou por ser dos menos técnicos de todo o percurso. O speaker foi animando os atletas nos momentos que antecederam a partida que foi dada à 1h00 em ponto.

Depois da partida e de comermos qualquer coisa, rumámos à primeira zona de transição, que se situava no miradouro, na localidade de Fontes, onde chegámos depois de algumas hesitações, já que o local não era muito fácil de encontrar e ainda por cima com chuva a prejudicar a visibilidade. Enquanto me preparava para a chegada do Nuno, o Eduardo aproveitou para dormir um pouco e o Helder foi ver o local da transição, de modo a que nada falhasse. Depois de algum tempo de espera, começaram a aparecer os primeiro concorrentes, com o nosso elemento a aparecer na 17.ª posição, após 2h18m de prova.

Depois de uma transição rápida, arranquei com tudo, já que era a descer o meu terreno predileto, e fui mantendo um bom ritmo, sempre abaixo dos 5´/km, já que os primeiros quilómetros eram em estradão. Nesta fase comecei a pensar que se o percurso fosse igual ao de 2016, a coisa iria ser uma "seca", mas tal não se veio a verificar e bem pelo contrário, os estradões rapidamente deram lugar a "single tracks" fantásticos, com passagens por ribeiras, com um constante sobe e desce e zonas quase sempre muito técnicas, como eu gosto, de tal forma que os quilómetros foram-se sucedendo uns atrás dos outros, sem que eu desse por isso. Exceção feita para as subidas mais difíceis, onde tinha que andar, mas ainda assim dava para ir alcançando um adversário aqui, outro mais à frente e manter sempre a motivação em alta.

Após 2h37m, com a "contabilidade" a ser de sete posições ganhas e apenas uma perdida, cheguei na 11.ª posição à transição situada em Casais dos Revelhos, onde estava o Helder Baptista, preparadíssimo para arrancar para o terceiro segmento. Entretanto, eu e o Eduardo deslocámo-nos para o final deste segmento, onde aproveitei para dormir um pouco e o Eduardo para se preparar para a chegada do Helder. O local da transição, situado na escola agrária, em Mouriscas, permitia uma boa visibilidade para o percurso e assim fomos para um ponto alto para seguir a chegada do Helder, que apareceu ainda antes das 9h da manhã, com um tempo de 2h52m, no 27.º lugar e no 9.º entre os atletas das estafetas.

O Eduardo recebeu o testemunho e arrancou a todo o gás, com o objetivo de terminar a prova antes do meio dia. O percurso deste segmento viria a revelar-se também bastante exigente, com passagens em ribeiras e zonas muito técnicas e com alguma lama, mas não foi impedimento para que o Eduardo conseguisse chegar dentro do objetivo e assim, passava pouco das 11h30m, quando eu e o Helder vimos o Eduardo a aproximar do parque desportivo de Abrantes, local onde terminou a prova.

Tendo em conta os atletas que tinham terminado até ao momento, estávamos em 14.º da geral e continuávamos em 9.º entre as estafetas. No entanto, a cerca de 100 metros do Eduardo, aparecia um dos nossos adversários das estafetas. Este realizou o melhor tempo da geral, neste segmento, e acabou por ultrapassar o Eduardo na última subida do percurso, apesar de todos os incentivos que demos ao longo da subida; mas a idade não perdoa e o nosso adversário tinha a idade dos nossos filhos...

No final terminámos os 100 km com um tempo de 10h36m, no 15.º lugar da geral dos 100 km e em 10.º entre as 35 equipas em estafetas (8.º entre as equipas masculinas), resultado que acaba por ser fantástico, já que nas estafetas não há escalões etários e todas as equipas adversárias tinham uma soma de idades bastante mais baixa que a nossa, que era só de 208 anos.

Para além do resultado, todos nos divertimos bastante e o facto de termos alinhado em estafetas proporcionou-nos andar sempre entre os melhores atletas em prova, coisa que seria impensável, caso tivéssemos optado por fazer a prova na versão completa, como fizeram os elementos do Clube, Miguel Cruz, Pedro Raposo e Francisco Nogueira, que disputaram os 100 km a solo, tendo estado em bom plano, com todos a terminarem com sucesso.

Classificações dos atletas do Clube Millennium bcp:

. Nuno Almeida / Manuel Rodrigues / Helder Baptista / Eduardo Rodrigues - 8.ºs classificados no escalão | Tempo (10:36:54) | 15.º da Geral;
. Miguel Cruz - 7.º classificado no escalão | Tempo (15:57:38) | 134.º da Geral;
. Pedro Correia - 28.º classificado no escalão | Tempo (15:57:39) | 135.º da Geral;
. Francisco Nogueira - 9.º classificado no escalão | Tempo (16:32:13) | 158.º da Geral.

Filme da prova

Publicado em 23/10/2019