Desporto

Duatlo de Rio Maior

Crónica da participação dos Associados Rui e Sofia Ramalho no início da temporada do calendário de triatlo de 2020

Nada como começar o ano com pelo menos dois desportos numa só prova!

Primeiro dia de fevereiro, partida prevista para as 15h30, secretaria a fechar às 14h45 e saída de casa, nas calmas, às 12h40, para recolher a minha Sofia que estava a ter aulas no Hospital de Santa Maria.

Saio da CRIL e antes de entrar na 2.ª Circular tudo parado. Ah, é só esperar uns minutos e se não der para ir pela 2.ª Circular saio à direita e dou a volta por Sete Rios. Errado! Não passava ninguém. 1h20 de carro desligado e alteração de planos:

- Sofia, tens que ir a correr até à 2.ª Circular porque se não, não chegamos a tempo ao Duatlo (como temos que mostrar o CC não dava para outros levantarem os dorsais).

Desbloquearam o trânsito às 13h50, apanho a Sofia em frente ao Campo Grande e lá vamos nós. Tudo acabou por correr bem, dorsais levantados e bikes estacionadas prontas a sair. As meninas partiram às 15h30, os meninos federados às 15h40 e os atletas da prova livre (de onde parti por confusão na inscrição) partiram às 15h41.

5 km a correr, 20 km de bike e mais 2.5 km a correr era a ementa. A chuva só parou quando acabámos a última corrida. Os primeiros 5 km foram feitos a uma boa velocidade, mas sem desgastar muito pois somos fracos no segmento da bike. Com o piso bem molhado, pouco jeito e sempre a cair mais água, o segmento da bicicleta foi feito com algum receio mas ainda assim a um bom ritmo com o objetivo de não deixar passar muitos dos que tinham passado na primeira corrida.

Cruzei-me com a Sofia (o objetivo era chegar-me a ela mas 11 minutos de diferença é muito tempo), que também ia a andar bem, mas o esforço para resistir aos ciclistas natos era muito e o gémeo esquerdo começava a prender, de tal forma que achei que não conseguiria correr na segunda corrida e teria que a fazer a andar.

Larguei a bike e ainda dentro da zona de transição tive que parar para alongar o gémeo. Não melhorou quase nada e lá fui eu ver quanto tempo conseguiria percorrer antes de começar a andar mas não abrandei. Foi o melhor que fiz porque o alongamento da passada foi ajudando a aliviar o nódulo que sentia no gémeo e comecei a passar atletas até que me cheguei a um jovem com pouco mais de 20 anos que ia isolado e em quebra. Coloquei-me ao seu lado; não adiantava avançar mais porque o atleta que nos precedia já ia muito distante e afinal de contas eram apenas 2.5 km. Fiz a minha apresentação: - Bora lá que eu tenho mais 30 anos que tu!

E resultou, porque ele "acordou" e acompanhou-me de imediato. Mais uns metros e já era eu que estava a ficar sem "gasolina" e tive que ranger os dentes para o acompanhar. Fui puxando por ele e com a meta à vista fizemos um sprint final onde lhe "injetei" mais adrenalina com um "não penses que te vou deixar ganhar!", mas ele ganhou. Era essa a intenção e cortada a meta um "hi-five" intergeracional de agradecimento pelo desafio e partilha.

A minha Sofia já tinha cortado a meta e dois sorrisos abertos se cruzaram repletos de felicidade. A chuva parou, estivemos com amigos atletas e apoiantes a rever e a reviver as nossas prestações.

Até corro umas coisas mas na bicicleta estou a nível zero, por isso posso perfeitamente desafiar-vos a virem experimentar o desporto porque basta apenas querer. Querer melhorar a tua condição física e mental e obter, sem dúvida alguma, melhor qualidade de vida.

No meu caso, que consigo partilhar toda esta emoção e cumplicidade com a minha filha Sofia, o retorno é vezes 100. Há mais por aí com a mesma experiência e outros a prepararem-se. E não se esqueçam que se não tentarem nunca vão saber.

Publicado em 07/02/2020