Desporto

Triatlo Longo de Setúbal 2020

Leia aqui os relatos dos nossos triatletas

Texto por José Farinha

Os deuses pareciam estar contra este triatlo.

No passado dia 25 de outubro apresentaram-se 9 Associados do Clube para participar na 4.ª edição do Setúbal Triatlhon, prova esta que tinha sido adiada no início do ano.

Setúbal tem vindo a afirmar-se nos triatlos longos pela beleza do trajeto bem como pela organização de excelência da HMSports. Mas nem tudo são rosas, aliás, todos os deuses pareciam estar contra esta edição: 1.º foi a pandemia, depois o mau tempo que se instalou precisamente às 6h do dia, ou seja, tudo parecia estar contra; no entanto, com a resiliência da organização e dos participantes, deu-se o tiro de partida para mais uma edição.

Fomos brindados com muita chuva e vento que teimou em acompanhar-nos durante toda a prova, desde o segmento da natação encurtada para 1.000 metros, passando pelo ciclismo e finalmente pela corrida. Estes argumentos não foram suficientes para abanar a confiança em todos aqueles que alinharam pelo Clube Millennium bcp e assim concluíram esta 4.ª edição, prova esta que se veio a confirmar como sendo a última do ano depois do cancelamento do Triatlo de Cascais.

Da minha parte foi a 4.ª edição concluída com sucesso onde tinha como objetivo manter o estatuto de totalista apesar da perigosidade do segmento do ciclismo. Vi muitas quedas e muitas avarias mecânicas. Felizmente consegui passar bem por este segmento e transitar bem para aquele onde me senti mais confortável, a corrida.

Parabéns a todos os participantes do Clube pelo seu brilhantismo e à HMS que provou estar à altura destes eventos sempre complexos de organizar.

Aceda aqui às classificações da prova.

Texto por Eduardo Ferreira

Para mim foi a 4.ª participação no Half de Setúbal onde pretendo ser totalista até onde conseguir. Neste ano tão difícil para as organizações, até ao último dia tive dúvidas se a prova não ia ser cancelada. Felizmente que não, e foi um sucesso.

Com cerca de 500 participantes num dia de chuva, vento, tempestade no mar e algumas quedas, todos os atletas do Clube Millennium bcp presentes na partida chegaram ao fim, com tempos bastantes bons. Eu, pessoalmente, melhorei em cerca de 25 minutos relativamente ao ano anterior devido à redução de 700m no segmento de natação. O segmento de natação foi espetacular com a ondulação e a corrente a fazerem-se sentir na maioria do percurso.

O segmento de bike, com chuva e vento, exigiu grandes níveis de concentração para evitar quedas - por vezes o vento era tanto que alterava a trajetória da bicicleta.

O segmento de corrida para mim, este ano, custou-me imenso. Sofri bastante desde o início e senti as pernas cansadas, fruto do treino mais intensivo das últimas semanas, que estavam a servir de treino para o Ironman de Cascais que infelizmente foi cancelado. Em abril do próximo ano lá estarei para a minha 5.ª participação.

Texto por Nuno Prazeres

Logo na primeira edição foi possível perceber que este triatlo estava para durar e, apesar de ter falhado as duas seguintes, foi com a certeza de ir passar momentos memoráveis que me inscrevi. Originalmente esta prova aparecia-me no calendário a duas semanas menos um dia do IronMan Cascais, pelo que sempre esteve previsto ser utilizada como "ambiente de certificação" para aquela que seria para mim a prova mais desafiante da época.

Com o adiamento de Cascais, a pressão (que já não era muita) desapareceu por completo o que me permitiu fazer algo que, porque não devo muito à inteligência, raramente faço que é andar claramente abaixo do esforço máximo para a distância sem preocupações de maior com a agressividade dos ritmos. O facto de estar longe da forma de outros tempos também me ajudou a ter cuidados redobrados com a empreitada que ali se propunha. As condições climatéricas estavam bastante distantes do ideal mas nada que incomodasse realmente. Apenas recomendavam mais prudência no segmento de ciclismo.

A natação foi feita no novo regime de partidas faseadas e foi completamente calma apesar da ondulação, vento e chuva. Arrisco-me a dizer que quase pareceu agradável. Pecou por curta, mas entende-se que a organização tenha preferido não correr riscos ao reduzir a distância para metade. A primeira transição foi lenta porque muito enfocada em não me esquecer de nada.

Começava então a passeata de bicicleta. O percurso divide-se em 4 secções. A primeira é plana e curta e serve para habituar o corpo ao esforço e à pilotagem mas deu logo para ver que o piso parecia uma pista de patinagem em alguns locais. O vento incomodava também. Depois aparecem as voltinhas pelas franjas sobe e desce da Serra da Arrábida onde é imperativo controlar os ímpetos para não pagar mais tarde. Segue-se uma parte plana e longa que para mim é a mais divertida. Infelizmente um furo lento acompanhou-me durante todo esse troço mas, com a ajuda do Luís Moriés da Bikefix, consegui voltar a ter a bicicleta em condições para voltar a atacar a zona final que nada mais é que uma repetição da primeira passagem na Arrábida. Ainda assim o estrago estava feito mas antes acontecer numa prova feita sem alvos ambiciosos do que numa com objetivos competitivos ou de tempo.

Quanto aos números propriamente ditos, apesar do furo e muita prudência nas áreas mais perigosas, consegui atingi-los: uma potência média alinhada com a que levaria a Cascais e com pouca variabilidade. Pulsação sempre sob controlo, 9 gels ingeridos e perto de 1,5 litros de fluido calórico consumidos.

A transição para a corrida foi calma e segura. Agora começava a festa propriamente dita. A velocidade contida deu para apreciar a parte mais complicada dum triatlo longo como nunca tinha feito. Como sempre fiz o primeiro km a apontar para mais 20 a 30 segundos por km acima da ritmo alvo. Um erro crasso de muitos é a pressa em rapidamente contabilizar distância dentro dos objetivos definidos sem qualquer período de adaptação após no mínimo duas horas e muito a pedalar. Não se sente logo mas paga-se com juros bem altos lá mais para a frente. Estou certo que alguns relatos dos nossos darão nota disso. Na endurance a paciência é mais do que uma virtude, é uma questão crucial para que o esforço seja sustentável.

Esta corrida deu para tudo, nomeadamente apoiar o pessoal da equipa, interagir com outros atletas, agradecer aos voluntários e tudo sem deixar de dar continuidade à patuscada que tinha começado alarvemente no segmento anterior. Aqui fui mais comedido e fiquei-me por 6 gels e 4 copos de Coca-Cola. O ritmo rondou os 4:56/km, o que até foi mais rápido do que queria mas o entusiasmo falou mais alto. A sensação no fim dos 21 km é que ainda conseguia correr assim mais uns bons 10 ou mesmo 15 km à mesma velocidade. Mais não sei, mas esses, creio que eram alcançáveis sem a ameaça do famoso homem da marreta. Aqui tenho que vos contar um segredo. Esse maldito foge a sete pés daqueles que se conseguem atascar em gels durante o esforço. O difícil mesmo é ter estômago para isso... Mas como muito bem diz o Eduardo Ferreira: esse é o segmento em que temos que ser mais fortes. Subscrevo e pratico!

Pela primeira vez numa prova fiquei muito triste ao chegar à meta. Foi curtinho. Muito curtinho. Se soubesse o que sei hoje, teria feito batota e dado mais uma volta na corrida sem ninguém perceber mas infelizmente a ideia na altura nem me passou pela cabeça. Enfim... Foi uma festa maravilhosa em que os convidados do nosso Clube foram os seus melhores animadores!

Texto por Nuno Nobre

Antes de mais parabéns a todos os que fizeram Setúbal. Foi um dia épico e o triatlo é feito destes dias. São estes dias que ficam na memória. E assim dou por terminada a época de triatlos, uma vez que Cascais passou para 2021.

O que dizer deste Setúbal Triahlon: é a minha 4.ª participação e não me canso de estar todos os anos neste evento. Este ano não foi o contrário apesar das condições climatéricas não terem sido muito favoráveis, mas quem faz triatlos é só mais um dos fatores a ter em conta e a superar para podermos chegar à meta com o objetivo alcançado.

Swim: Este ano foi encurtada em 900m devido à agitação marítima e as correntes. Concluí em 24´. Não foi "top" mas senti-me bem e gostei da minha prestação.

T1: Com o dorsal #26 tinha a bicicleta no início do parque de transição. Talvez por isso fiz uma das minhas melhores transições em 3:08. Tinha preparado bastante equipamento para a chuva e o frio, mas decidi não colocar. A temperatura era agradável e em boa hora o fiz pois durante toda a bike não fiquei desconfortável com a chuva e o vento.

Bike: Secção feita em 2:48:47. Estrada muito perigosa com chuva o que me fez tomar cuidados redobrados e felizmente correu tudo bem, sempre com o foco numa boa alimentação e hidratação que foi superando os km. No fim uma média de 32 km/h.

T2: Feita em 1:46 dentro do normal para ter tempo de trocar as meias e colocar umas secas, e que bem que soube.

Run: Parti para a corrida com vontade de me superar. Comecei com pace de 4:15 e era meu desejo fazer até ao fim, mas bem depressa as minhas pernas disseram que não era bem assim - "corre lá para 4:27/4:30 que é melhor". Fiz a vontade às pernas e acabei com 1:37:37. O triatlo ensina-nos que não podemos ser mais teimosos do que o nosso corpo.

No fim, chegada com sentimento de superação em 4:55:31. 110.º lugar à Geral e 22.º no Escalão AG45-49M. Uma vez mais foi bom rever os atletas do Clube e sentir o seu apoio. Bem haja a todos.

Texto por Manuel Rodrigues

Passado mais de um ano depois de ter feito último triatlo e com apenas com 2 treinos de natação e 2 de corrida no último mês, parti para esta prova motivado por estar de volta ao triatlo e com a expectativa de alcançar um bom tempo, próximo das 5 horas. Confiante nas minhas capacidades, mas ao mesmo tempo consciente que não iria ser fácil, principalmente devido à falta de treino de corrida, normalmente o segmento mais difícil para mim.

Como o dia se apresentou com condições climatéricas bastante adversas, com chuva e vento forte, a organização optou por reduzir a natação para apenas 1.000 metros, como forma de aumentar as condições de segurança dos atletas. Assim, este segmento acabou por correr bem e ao fim de 20´ já estava fora de água e pronto para o meu segmento favorito, a bicicleta.

O percurso de ciclismo, apesar de ter 2 incursões na Serra da Arrábida, era maioritariamente plano, mas acabou por se tornar muito mais difícil, devido ao forte temporal que se fez sentir, com ventos fortíssimos, que dificultavam imenso a progressão e com a chuva a tornarem o piso bastante perigoso, o que acabou por originar muitas quedas, como o foi o caso do atleta do Clube, Pedro Fernandes, que caiu 2 vezes. Ainda assim estive sempre com boas sensações que me permitiu concluir os 90 km em 2h50´.

Quando parti para a corrida, já sabia que iria ser o segmento mais complicado (e acabou mesmo por ser!), no entanto, até aos 10 km, que conclui em 50´, a coisa até que ia a correr bem, mas daí para a frente, a falta de treino de corrida acabou por se fazer sentir. E foi cerrar os dentes e "penar" para chegar até ao fim sem perder muito tempo, tendo terminado a meia maratona com 1h53" e literalmente com um "andar novo".

Esta minha primeira participação em Setúbal, acabou por ser bastante positiva, já que consegui concluir a prova em 5h09´19”, tempo bastante razoável e dentro do meu registo habitual (apesar dos anos irem passando), registo que rendeu ainda um 5.º lugar no escalão 55-59.

Foi excelente voltar ao convívio com os outros atletas do Clube, nestas andanças desportivas e dar o contributo para o excelente 9.º lugar alcançado pelo Clube Millennium bcp na classificação coletiva.

Resumo aqui da minha prova em números.

Texto por Carlos Abrunhosa

"Boina preta". Pois é, não sendo um apreciador de repetição de provas, o "Setúbal Triathlon" é uma verdadeira exceção! 4 edições, 4 presenças, 4 vezes “Finisher”! Sou um Totalista… com direito a Touca distintiva - este ano preta! Na verdade, gosto mesmo muito da prova e sempre superiormente organizada.

E há 4.ª vez também foi a mais sofrida! Num ano muito atípico, foi difícil gerir a motivação e consequentemente os treinos que tal prova implicam. Gosto de desfrutar das provas e o "índice de sofrimento" ser relativo. Já não é a primeira vez que encaro um "Half" com esta postura meio arrogante, quase com algum desprezo pela distância... tudo errado! E claro, isso paga-se em prova!

Condições atmosféricas adversas, principalmente no início da manhã, implicaram uma redução da distância da natação - 1.000 metros. Nunca bebi tantos pirolitos como nestes 23 minutos de natação! Como só respiro para a esquerda... vento moderado de sudoeste com consequente mareta que tornou a natação uma aventura engraçada! Valeu uma temperatura bem confortável!

Cerca de 5 minutos na minha habitual "tranquila" transição, lá vieram os 90 km de bike! Já sabia que ia sofrer! Pedalei uma vez em estrada nos últimos meses! Muito vento e alguma chuva (atenção, para quem fez o Lisboa Triathlon em 2016 e estavam lá alguns "repetentes" – Rui Magalhães, Miguel Cruz..., este clima foi "para meninos"!) com as subidinhas do costume, o desgaste era evidente. 3h e 15 minutos depois estava feito. Com algum cuidado para evitar as quedas nas descidas mais rápidas.

Mais 2 minutos da 2.ª transição e venham lá os 21 km de corrida. Habitualmente o segmento que me sinto mais confortável... não foi o caso! Paragem "forçada" ao km 7 para urinar, veio a criar grandes dificuldades! Quadríceps a prender, quase não consegui arrancar! Andar custava! Experimento um ligeiro trote... e corre bem! Vamos lá! E assim foi durante os seguintes 14 km. Pernas "presas por arames" e a velocidade a que corria até me parecia "contra natura"! Demasiado lento! Mas tinha que ser. Bom, 1h48m depois estava terminado. Ufa! Quem bem que soube terminar! Uma vez mais, o tempo final 5h35m pouco importa.

Sensação de que somos valentes! Fortes! Resistentes! Mesmo que seja apenas na nossa cabeça!!

Num dia que convidava a estar em casa no quentinho, simplesmente espetacular a quantidade de gente que se manteve na estrada a apoiar! Fantástico! Percurso que convida a cruzares várias vezes com os teus companheiros do Clube Millennium bcp, incentivo constante. "Staff" da prova sempre disponível e facilitando toda a logística, este ano com tanta coisa diferente. Prova superada. Para Todos!

Aceda aqui ao texto de Pedro Fernandes.

Publicado em 07/12/2020